
Um morro em forma de barco, no leste da Turquia, já foi anunciado como a Arca várias vezes desde 1948. Fomos atrás do que cada época realmente encontrou lá embaixo.
Vídeo publicado em 10 de outubro de 2026
Em setembro de 2026, uma broca desceu entre quatro e cinco metros numa colina a menos de trinta quilômetros do Monte Ararat e se partiu. A equipe anunciou que ela tinha batido numa camada que pode ser madeira petrificada, e o cientista do radar disse que o subsolo é "cem por cento não geológico". Só que esse morro já foi fotografado por militares, dinamitado, perfurado e escaneado desde 1948, e em cada vez alguém tinha certeza. A Ordo Luminis reuniu os documentos de cada época.
O que o texto diz
Gênesis 6:15 dá as medidas: trezentos côvados de comprimento. Com o côvado comum, de cerca de 45 centímetros, a Arca teria uns 135 metros; a formação turca mede entre 157 e 164, conforme quem mede. A conta só fecha com o côvado real egípcio, de cerca de 52 centímetros. E Gênesis 8:4 fala nos "montes de Ararate", no plural: Ararate era uma região, o antigo reino de Urartu, hoje dividido entre Turquia, Armênia e Irã. O texto não aponta um pico exato.
A história do dilúvio também não é exclusiva da Bíblia. Em 1872, George Smith, do Museu Britânico, decifrou na tabuinha XI da Epopeia de Gilgamesh, vinda de Nínive, o relato de Utnapishtim, que constrói um barco, leva animais e solta aves para achar terra seca. O Atrahasis babilônico tem a mesma estrutura. A pergunta das expedições, portanto, é outra: sobrou alguma coisa de um barco?
1948 a 1960: o contorno e a dinamite
Em maio de 1948, chuvas e tremores atingiram a região de Doğubayazıt; segundo os relatos, o pastor curdo Reşit Sarıhan viu numa encosta uma forma nova. Em 13 de novembro, uma nota da Associated Press noticiou que um turco teria visto "um navio" no Ararat. Em 1959, o capitão İlhan Durupınar, do exército turco, encontrou o contorno de barco em fotografias aéreas de uma missão de mapeamento ligada à OTAN; daí o nome do local.
Em 1960, a foto saiu na revista LIFE, e uma expedição com Durupınar, o pastor George Vandeman e o especialista em fotogrametria Arthur Brandenberger cavou por dois dias, usando dinamite. Encontrou terra e pedra. A conclusão divulgada: uma "aberração da natureza".
Ron Wyatt, o radar e a broca de 1988
Em 1977, o arqueólogo amador americano Ron Wyatt se convenceu de que ali estava a Arca. Em 1985, vieram David Fasold, especialista em resgate de naufrágios, e o geofísico John Baumgardner, do Laboratório Nacional de Los Alamos, com um radar de solo. As leituras mostraram faixas regulares, interpretadas como possíveis estruturas internas, e em 1988 Fasold publicou The Ark of Noah. O limite do método é importante: o radar mostra onde o material muda, mas não diz que material é.
Para saber, era preciso perfurar. Num boletim de 19 de agosto de 1988, Baumgardner registrou que os furos atingiram rocha em camadas a cerca de cinco metros, sem evidência de madeira, petrificada ou não. Com o tempo, concluiu que a formação é natural.
O autor do livro muda de ideia
Em 1994, Fasold voltou ao local com o geólogo australiano Ian Plimer. Em 1996, assinou com o geólogo Lorence Collins, no Journal of Geoscience Education, um artigo cujo título, traduzido, é "A falsa Arca de Noé da Turquia, exposta como uma estrutura geológica comum": o formato seria uma dobra natural de rocha, e as "paredes com metal", faixas de minerais de ferro. Em 1997, numa ação na Justiça australiana, declarou sob juramento que dizer que a Arca fora encontrada era um "completo absurdo". Fasold morreu em 1998; pessoas próximas disseram depois que ele voltou a acreditar, o que Collins nega. É relato de terceiros, sem documento do próprio Fasold.
2011 a 2026: universidades, governo e a nova broca
Em 2011, o parlamento turco entregou as pesquisas a uma banca da Universidade Ağrı İbrahim Çeçen. Depois, Andrew Jones, do projeto Noah's Ark Scans, afirmou em 2024 que o solo de dentro da formação tem cerca de três vezes mais matéria orgânica que o de fora. Em junho de 2025, o geólogo Eşref Atabey, do MTA (órgão oficial de pesquisa geológica da Turquia), publicou estudo concluindo que o "barco" é rocha dobrada moldada por um deslizamento de terra.
Em 2026, segundo o Türkiye Today (24/09), o professor Cenker Atila, da Universidade Sivas Cumhuriyet, parceira de Jones, coordenou por noventa dias vinte cientistas de cinco países, com cerca de mil amostras em 150 pontos e fragmentos de cerâmica cuja idade não foi confirmada em laboratório. Comunicados do Noah's Ark Scans na GlobeNewswire anunciaram em 23 de setembro a broca despedaçada e, em 1º de outubro, a avaliação do Dr. Khosrow Bakhtar: corredores, câmaras e salões. Em 3 de outubro, Jones disse à Fox News que não encontrou rocha firme em mais de doze furos e que o solo escuro será testado.
Tudo isso vem do próprio grupo e de parceiros, sem estudo revisado por pares até agora. E, em 7 de outubro de 2026, a organização criacionista Creation Ministries International republicou um relatório de 1992 em que seus cientistas concluíram que Durupınar não é a Arca. Repare ainda na profundidade: em 1988 a broca parou em rocha perto dos cinco metros; em 2026 quebrou na mesma faixa, e a equipe diz que não era rocha.
O veredito da Ordo
É fato documentado que a formação foi dinamitada em 1960 e perfurada em 1988, com terra e rocha como resultado; que o autor de The Ark of Noah assinou em 1996 um artigo concluindo que ela é natural; e que um geólogo do MTA chegou à mesma conclusão em 2025. É alegação a existência de câmaras e madeira petrificada, por enquanto restrita aos comunicados da equipe. É desconhecido o que o laboratório dirá sobre as amostras de 2026.
Pelo que está documentado hoje, Durupınar não é a Arca: toda vez que alguém desceu até a resposta e publicou o resultado, encontrou pedra. Mas isso não diz se a Arca existiu, e essa pergunta nenhuma broca alcança. Quando o laboratório divulgar o resultado, a Ordo volta a esse morro.
Assista à investigação completa, com os documentos na tela: youtu.be/wFhdWigJaG0
Fontes
- Gênesis 6:15 e 8:4.
- Epopeia de Gilgamesh, tabuinha XI (British Museum); George Smith, 1872. Atrahasis (British Museum).
- Associated Press, 13/11/1948: GREENWALD, E. B., "Turk Reports 'Ship' Atop Mt. Ararat".
- LIFE, 5 set. 1960 (citada por Collins e Fasold, 1996, como "Life, 1960, p. 112").
- FASOLD, David. The Ark of Noah, 1988.
- Boletim de John Baumgardner, 19/08/1988 (reproduzido por Living Passages, 2026).
- COLLINS, L. G.; FASOLD, D. F. "Bogus 'Noah's Ark' from Turkey exposed as a common geologic structure". Journal of Geoscience Education, 44(4): 439-444, 1996.
- ATABEY, Eşref (MTA). "Nuh'un Gemisi, heyelan etkisiyle oluşmuş jeolojik bir yapı", jun. 2025 (ResearchGate 392866505).
- NOAH'S ARK SCANS: comunicados GlobeNewswire de 23/09/2026 e 01/10/2026 (Dr. Khosrow Bakhtar).
- Türkiye Today, 24/09/2026 (Prof. Cenker Atila: 90 dias, 20 cientistas, cerca de 1.000 amostras em 150 pontos, cerâmica).
- Fox News (PENLEY, Taylor), 03/10/2026, entrevista de Andrew Jones.
- Euronews Türkçe, 20/06/2026.
- Creation Ministries International, "Back to Mt Ararat", 07/10/2026 (com o relatório "Amazing 'Ark' exposé", 1992).
- Wikipedia, verbetes "Durupınar site", "Ron Wyatt", "David Fasold" e "John Baumgardner" (cronologia de 1948 a 2011).
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